Categoria: Ciclo de Crédito

  • A originação define a provisão

    Uma das principais transformações na gestão moderna de crédito foi a compreensão de que o risco não deve ser analisado apenas quando o problema aparece.

    Ele deve ser antecipado no momento da concessão.

    Essa lógica tornou-se ainda mais evidente com a evolução dos modelos de provisão baseados em perdas esperadas.

    Em termos práticos, isso significa que a provisão não é consequência apenas da inadimplência observada. Ela também reflete expectativas sobre o comportamento futuro da carteira.

    Por que a qualidade da originação importa para o resultado financeiro

    Por esse motivo, a qualidade da originação tornou-se um elemento central para a gestão financeira das instituições.

    Cada decisão de concessão carrega uma expectativa de perda associada.

    Quando critérios de aprovação são flexibilizados, quando limites são ampliados sem análise adequada ou quando novos segmentos são incorporados sem conhecimento suficiente, o impacto não aparece apenas no futuro.

    Ele pode surgir imediatamente por meio da necessidade de maiores provisões.

    A provisão não pertence à Contabilidade, ela começa na originação

    Essa relação produz uma consequência importante para gestores.

    A discussão sobre provisão não pertence exclusivamente à Contabilidade, à Controladoria ou à área de Riscos.

    Ela começa na originação.

    Uma carteira composta por clientes adequadamente avaliados tende a apresentar comportamento mais previsível, menor volatilidade e necessidade mais equilibrada de capital e provisões.

    Por outro lado, uma estratégia de crescimento baseada apenas em volume pode gerar pressões significativas sobre resultado, patrimônio e capacidade de expansão do negócio.

    Quando a provisão cresce de forma não planejada, ela consome resultado antes que qualquer outra alavanca de eficiência consiga compensar. O impacto não se restringe ao balanço do trimestre: ele afeta a percepção de solidez da instituição, reduz a margem disponível para novos investimentos e pode limitar a capacidade de crescer no momento em que o mercado abre oportunidades.

    Em outras palavras, uma carteira mal originada não cobra seu preço apenas na inadimplência. Ela cobra na rentabilidade, na capacidade de expansão e, com frequência, no tempo que a gestão precisará dedicar para mitigar uma inadimplência que começou muito antes de se tornar incorrida.

    Conectar originação, risco, provisão e rentabilidade

    Esse é um dos motivos pelos quais instituições maduras conectam as discussões de originação, risco, provisão e rentabilidade.

    O objetivo não é reduzir concessões.

    O objetivo é garantir que o crescimento ocorra de forma sustentável.

    Da pergunta errada à pergunta certa

    A pergunta relevante deixa de ser “quanto estamos aprovando?” e passa a ser “qual qualidade estamos incorporando à carteira?”.

    Porque toda provisão futura começa em uma decisão tomada hoje.


    No Instituto Fundare, partimos de uma convicção: crédito não se desenvolve por partes — se desenvolve como sistema. É o que entendemos por Excelência Responsável: desenvolver profissionais com visão sistêmica do ciclo de crédito, capazes de reconhecer o impacto das próprias decisões sobre o todo.

    Instituto Fundare | Onde Risco vira Retorno

  • A inadimplência não nasce na cobrança

    Existe uma percepção recorrente no mercado de crédito de que a inadimplência é um problema da cobrança.

    Quando os indicadores pioram, a atenção costuma se voltar para as estratégias de recuperação, para os canais de contato ou para a produtividade das equipes de cobrança.

    Esses elementos são importantes. Mas raramente explicam a origem do problema.

    A inadimplência como manifestação tardia de decisões anteriores

    A inadimplência costuma ser apenas a manifestação final de decisões tomadas muito antes do vencimento da primeira parcela.

    Em muitos casos, ela começa na definição do público-alvo. Uma estratégia comercial pode direcionar a oferta para segmentos com maior vulnerabilidade financeira sem que os riscos associados sejam adequadamente precificados.

    Em outros casos, a origem está na política de crédito. Critérios excessivamente permissivos podem aumentar o volume de concessões no curto prazo, mas também elevam a probabilidade de perdas futuras.

    Há situações em que a causa está no próprio produto. Parcelamentos longos, limites incompatíveis com a capacidade de pagamento ou jornadas de contratação excessivamente simplificadas podem aumentar o risco de inadimplência sem que isso seja percebido inicialmente.

    Questões macroeconômicas também exercem influência relevante. Mudanças no mercado de trabalho, inflação persistente ou aumento do comprometimento de renda das famílias alteram a capacidade de pagamento dos clientes e afetam o desempenho das carteiras.

    O que a cobrança pode, e o que está fora do seu alcance

    A cobrança entra em cena quando grande parte dessas decisões já produziu seus efeitos.

    Por isso, atribuir à cobrança a responsabilidade exclusiva pela inadimplência é semelhante a responsabilizar um médico pelos hábitos que levaram um paciente a desenvolver uma doença.

    A cobrança pode reduzir impactos, recuperar valores e gerar aprendizado para a organização. Mas dificilmente conseguirá corrigir sozinha problemas originados em etapas anteriores do ciclo.

    Inadimplência como fenômeno sistêmico

    As instituições mais maduras analisam a inadimplência como um fenômeno sistêmico.

    Elas investigam quais segmentos apresentaram deterioração, quais critérios de aprovação estavam vigentes, quais produtos concentraram maior risco e quais mudanças ocorreram no ambiente econômico.

    Uma ferramenta central nessa análise é a leitura por safra: comparar o desempenho de grupos de créditos originados em períodos diferentes permite identificar se a deterioração está relacionada a mudanças na política de concessão, no ambiente macroeconômico ou no perfil dos clientes aprovados em determinado momento.

    De busca por culpados a identificação de causas

    Essa abordagem amplia a capacidade de aprendizado organizacional.

    Em vez de buscar culpados, a empresa passa a identificar causas.

    E quando as causas ficam claras, as decisões futuras tendem a ser melhores.

    A inadimplência como indicador de qualidade decisória

    A inadimplência, afinal, não deve ser observada apenas como um indicador de cobrança. Ela é um indicador da qualidade das decisões tomadas ao longo de todo o ciclo de crédito.


    No Instituto Fundare, partimos de uma convicção: crédito não se desenvolve por partes — se desenvolve como sistema. É o que entendemos por Excelência Responsável: desenvolver profissionais com visão sistêmica do ciclo de crédito, capazes de reconhecer o impacto das próprias decisões sobre o todo.

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  • Estratégias para aumentar a recuperação de créditos inadimplentes

    A inadimplência é um desafio constante para empresas de diversos setores.

    Uma estratégia eficiente de recuperação começa pela segmentação da carteira e pela definição de abordagens específicas para cada perfil de cliente.

    Ferramentas de automação e análise de dados permitem identificar oportunidades de negociação e melhorar as taxas de recuperação.

    O acompanhamento contínuo dos resultados é essencial para otimizar as ações de cobrança.